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Império da Madrugada

O silêncio no carro é o primeiro sinal de que o mundo lá fora foi deixado para trás. A noite em Belo Horizonte está fria, mas dentro do asfalto, o clima é denso, carregado daquela eletricidade que acumulou durante toda a reunião da sua família. Ele dirige com uma das mãos firme no volante; a outra está espalmada na sua coxa, apertando o seu músculo com força por cima do tecido escuro da calça, o polegar dele fazendo uma pressão calma, ditando o ritmo do que está por vir. Você olha de lado e vê o perfil dele cortado pela luz dos postes da rua: a expressão séria, o queixo travado, o olhar fixo na estrada. Ele sabe exatamente o que vai fazer.

Quando vocês finalmente entram no apartamento, o som da porta batendo e da tranca girando funciona como o estalo da lâmina. Acabou o teatro. Acabou a postura para os outros.

O apartamento está na penumbra, iluminado apenas pelos reflexos que vêm da janela grande da sala. O cheiro do perfume dele toma conta do ar. Ele não dá dois passos. Ele se vira de frente para você, trancando o seu corpo contra a madeira firme da porta fechada. O impacto não é violento, mas é pesado, proprietário.

Ele não diz uma palavra ainda. Ele apenas fixa aquele olhar cirúrgico e faminto nos seus olhos, descendo lentamente para a sua boca e depois mapeando a estrutura dos seus ombros. A mão direita dele sobe, grande e fria, e os anéis de prata dele arranham de leve o seu pescoço quando ele espalma os dedos na sua nuca, puxando a sua cabeça um pouco para trás. Você sente a respiração dele, quente, perto do seu ouvido.

— Você foi impecável lá dentro, Jhon — a voz dele sai rouca, baixa, um sussurro denso que vibra na sua pele. — Mas agora você é meu.

O primeiro beijo é lento, mas tem o peso de uma cobrança. É uma entrega de alta simetria: a língua dele encontra a sua com uma propriedade que te tira o fôlego, enquanto a outra mão dele desce para a sua cintura, apertando a lateral do seu corpo, sentindo a densidade do seu treino sob as roupas. Você responde na mesma calibração de força, espalmando as suas mãos no peitoral dele, sentindo os músculos dele rígidos sob a jaqueta de couro preta.

Ele afasta a boca de leve, apenas o suficiente para olhar o seu rosto na meia-luz. Com uma calma calculada, ele começa o ritual da desconstrução. Ele desliza as mãos pelos seus ombros, tirando a sua jaqueta e deixando-a cair no chão, sem se importar com onde ela vai parar. Depois, os dedos dele encontram os botões da sua camisa. Ele abre um por um, devagar, os olhos fixos no seu peito à medida que a pele vai aparecendo. Quando a camisa se abre por completo, ele espalma as duas mãos no seu peitoral descoberto, deslizando os dedos pela definição dos seus músculos, descendo até o abdômen. Ele respira fundo, apreciando a sua evolução física como se estivesse tocando o altar do próprio santuário.

— Eu passei a noite inteira querendo fazer isso — ele confessa, o olhar cínico e possessivo de canto de boca aparecendo por um segundo.

Ele se abaixa de leve, deixando beijos marcados e quentes na linha da sua clavícula, descendo pelo meio do seu peito enquanto as mãos dele desabotoam a sua calça. Movimentos precisos, sem hesitação. Em poucos minutos, ele te despe por completo das roupas. Mas, como o Oráculo previu, ele para quando chega nas suas mãos. Ele segura os seus pulsos, olha para os seus dedos e alinha os seus anéis de prata pesados com os dele. O metal frio bate contra o metal frio. Você está nu, imponente, forte, mas a prata continua ali como o carimbo da sua sofisticação.

Ele dá um passo para trás, apenas para te admirar. Sob a luz cinzenta que entra pela janela, ele te olha de cima a baixo. O olhar dele é devoto, mas é o olhar de um homem que sabe que domina o espaço. Ele aprecia a sua espinha dorsal reta, o desenho das suas pernas, a força do seu corpo esculpido.

Sem que você precise pedir, ele tira a própria jaqueta e a camisa, revelando o físico dele, tão denso e treinado quanto o seu. Ele te puxa de volta pela cintura, colando o peito quente dele no seu. O contraste da pele de vocês é o estopim.

Ele te conduz até a cama no absoluto silêncio da madrugada. O lençol escuro recebe o peso dos corpos de vocês. Ali, o sexo deixa de ser pressa e vira intensidade crua. Ele se posiciona sobre você, prendendo as suas mãos acima da sua cabeça, os anéis de vocês se chocando contra a cabeceira. Ele dita o compasso, descendo com beijos vorazes pelo seu pescoço, mordendo de leve a sua pele, arrancando de você aquele som grave que você só solta quando está nos braços dele. Você prende as suas pernas ao redor da cintura dele, puxando-o para mais perto, sentindo a força bruta e a testosterona dominarem o quarto. É um encaixe perfeito de poder e carne: a cada movimento dele, você responde com a mesma intensidade, dominando-o de volta, arranhando as costas dele, mostrando que o poeta também sabe ser selvagem.

Depois do ápice, quando o suor brilha na pele de vocês e o cansaço bom finalmente chega, a frequência muda. A tempestade dá lugar à blindagem.

Ele rola para o lado, puxando o cobertor sobre vocês dois, mas não te solta. Ele te puxa para o peito dele, acomodando a sua cabeça no ombro dele. Na penumbra do quarto, com o som da sua respiração voltando ao normal, a armadura dele cai por completo. A mão dele, agora relaxada, faz um carinho lento nos seus cabelos.

— Ficou perfeito o texto novo que você postou no blog hoje cedo — ele diz, quebrando o silêncio com aquela voz calma de quem está em paz. — Eu li antes de sairmos. Ninguém escreve a noite como você, Jhon.

Você sente o coração dele batendo calmo contra o seu ouvido. No colo dele, com o cheiro do perfume misturado ao calor da pele nua, você sabe que o império está seguro. O mundo lá fora pode fofocar, a família pode estranhar, mas ali dentro, naquele quarto, vocês dois governam a noite absolutos e inabaláveis.

- Carlos Pontes

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