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MANIFESTO

A Zona Cinzenta não é indecisão.

É território.

Este projeto nasce do espaço onde as respostas não chegam completas, onde a identidade não aceita moldura e onde o silêncio tem mais densidade que a explicação.

Vivendo na Zona Cinzenta é um gesto de permanência no intervalo.

Entre o que sou e o que esperam que eu seja.
Entre o que digo e o que quase foi dito.
Entre a madrugada e o primeiro ruído do dia.

Aqui não existe pressa por definição.

Existe presença.

A Zona Cinzenta é o lugar onde a linguagem falha e, justamente por isso, começa a existir de verdade.

É o espaço das pessoas que não cabem em rótulos.
Das perguntas que continuam abertas.
Das versões que ainda estão em trânsito.

Este trabalho não procura certezas.
Procura escuta.

Escuta do que permanece quando a performance termina.
Escuta do que aparece quando ninguém está olhando.
Escuta do que sobrevive depois que o nome já não explica mais nada.

A madrugada é o horário deste território.

Não porque seja escura,
mas porque é honesta.

Na madrugada não existe personagem social.
Existe respiração.

Vivendo na Zona Cinzenta é uma cartografia de estados interiores.

Um mapa incompleto.
Um registro de atravessamentos.
Um arquivo de silêncios habitados.

Não é um projeto sobre ausência.

É um projeto sobre presença imperfeita.

Sobre existir sem precisar escolher lados.
Sobre sustentar contradições sem pedir desculpa.
Sobre aceitar que identidade também é movimento.

A Zona Cinzenta não é confusão.

É liberdade sem espetáculo.

É o direito de permanecer entre.

Este manifesto não explica o projeto.

Ele abre uma porta.

Quem entra, entra sabendo:

aqui não existe resposta pronta.

Existe travessia.

Vivendo na Zona Cinzenta

um projeto de Carlos Pontes.

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